Portal da Cidade Vassouras

Depressão

Depressão: uma doença que pode afetar até mesmo bebês

A depressão é uma doença que acomete todas as idades. Desde os mais novos – incluindo aí bebês

Postado em 06/10/2018 às 17:52 |

Pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais de depressão (Foto: Diário do Vale)

Volta Redonda – A depressão é uma doença que acomete todas as idades. Desde os mais novos – incluindo aí bebês – todos estão na lista de possíveis doentes. A dificuldade é maior, no entanto, para identificar sintomas em crianças. Quanto mais novas, maior essa barreira.

De acordo com a psicóloga Bruna Buarque da Silva, de Volta Redonda, em geral a criança exibe mudanças comportamentais que são facilmente confundidas com síndromes ou mesmo com questões temperamentais. Já em relação às causas, a psicóloga esclarece que são muitas as motivações para a depressão infantil.

– Hoje temos o Cyberbullying (tipo de violência praticada através da internet ou tecnologias relacionadas), essa forma de violência tem sido crescente, inclusive porque o praticante não precisa se identificar. Ainda considerando a tecnologia, vivemos em uma ditadura da beleza e da perfeição, da magreza, da riqueza, do TER, onde os pais sentem a necessidade de postar e ganhar “curtidas” como prova de aceitação ou de aprovação das suas conquistas. Isso pode aumentar muito o stress e a angústia já na primeira infância – destaca.

Outros fatores mais comuns são separação dos pais, cobrança excessiva, abuso de autoridade, abuso sexual, perdas. “O diagnóstico precoce sempre facilita o tratamento de qualquer doença, por isso, é importante dar a devida importância para possíveis mudanças comportamentais da criança”, alerta a psicóloga.

A psicóloga afirma que a depressão é uma doença séria e deve ter a mesma importância que qualquer outra enfermidade. Até pelo fato de poder levar a pessoa afetada à morte.

– Como a criança tem dificuldade de expressar emoções, normalmente é possível notar mudanças comportamentais. Temos de ficar atentos para irritabilidade, tristeza, choro fácil, apatia, baixo desempenho escolar, baixo interesse em atividades que faziam parte da sua rotina, inapetência ou aumento súbito do apetite, medo específico, comunicação seletiva, recusa no afastamento das pessoas de referência (pais, avós, professores), ausência de iniciativa e desejo, insônia ou hipersonia, entre outras – disse.

A psicóloga alerta que a depressão pode atingir qualquer classe social, sexo, raça ou credo, pois todos os indivíduos estão suscetíveis às decepções, frustrações e sentimento de ser inadequado. “O sentimento de angústia está para além da possibilidade de poder aquisitivo; inclusive os pais precisam se conscientizar de que o dinheiro não compra tudo. Que e o sentimento de inadequação, a visão negativa de si mesmo e do mundo presentes na depressão, não são substituídos pelo consumo”, comentou.

A psicóloga chama a atenção para um fato muito importante, a criança que tem pais ou parentes depressivos tem mais tendência ou probabilidade para ter depressão.

– Os estudos mostram que definitivamente a depressão tem relação com a genética do indivíduo. Mas isso não significa que todo indivíduo que tem em seu histórico um familiar com depressão, também irá desenvolver o distúrbio. É necessário somar aos fatores externos podem aumentar a probabilidade, como por exemplo, histórico de negligência, abuso sexual ou de autoridade, processo de luto, doenças físicas, entre tantos outros – declara.

Tratamento

Em relação ao tratamento, o recomendável é que o responsável leve a criança para consulta com seu pediatra de confiança. Bruna alerta que este profissional deva conhecer a família e possivelmente a criança desde a primeira infância.

Ela ressalta que isso ajudará a família a organizar ideias quanto a possíveis mudanças comportamentais. Em um segundo momento, a família deve procurar a orientação de um psiquiatra infantil ou psicólogo, que possam conduzir o caso.

– Nossas crianças estão seguindo padrões errados de beleza, saúde, educação e emoção. E é nossa responsabilidade auxiliá-los para um crescimento saudável na esfera biopsicossocial – opina Bruna.

 

Deixe seu comentário