Olá Visitante! Cadastre-se ou faça seu Login
Login com Facebook
ou
Você está em Vassouras / RJ

Você está aqui: Home / Colunistas / Valores e Princípios / PENSANDO A MORTE A PARTIR DA FÉ E O LUTO – UM SENTIDO À PERDA

Pe. José Antônio



Profissão:
Padre Mitra Diocesana de Valença
banner Colunista

Outros Colunistas

Dicas: Mentes Sábias/Mestre das Letras

Dr. Anderson Soares Moreira da Silva

Última atualização:
em 06/01/2018 às 19:25

A Saúde está em Sorrir

Tácito Salles

Última atualização:
em 23/11/2017 às 23:09

Turismo, Diversidades Culturais e as Novas Tendências

Sandra Lopes

Última atualização:
em 21/09/2017 às 14:49

Informática

Marcelo Granadeiro

Última atualização:
em 22/02/2017 às 18:42

Divas Notáveis

Bia Pias

Última atualização:
em 20/08/2016 às 20:08

Fazendo as pazes com a EDUCAÇÃO

Nelma Rago

Última atualização:
em 30/07/2016 às 09:12

Dicas de Moda Feminina

Katerine Madruga

Última atualização:
em 28/06/2016 às 21:18

Estilo Verde

Marcus Pimenta

Última atualização:
em 11/06/2016 às 19:13

Papo de Cozinha

Angela Barbosa

Última atualização:
em 26/03/2016 às 14:27

Educar para Viver

MSc. Sônia Verás

Última atualização:
em 28/01/2016 às 11:43

Mensagem Evangelística

Pastor David Elias Pereira

Última atualização:
em 17/11/2015 às 16:39

Cerimoniais: Organização e Gestão

Aline Oliveira

Última atualização:
em 09/10/2015 às 10:51

Natureza

Patricia Sampaio

Última atualização:
em 28/09/2015 às 16:05

Histórias e Reflexões

Iohanna Silveira

Última atualização:
em 23/06/2015 às 17:57

Beleza e Estética

Janaina Barbosa Cabral

Última atualização:
em 05/06/2015 às 17:35

Saúde

Dr. Allessio Fiore Sandri Júnior

Última atualização:
em 11/05/2015 às 12:14

Turismo

Amanda Canuto

Última atualização:
em 24/04/2015 às 22:19

Espaço Animal

Adriana Oliveira

Última atualização:
em 06/04/2015 às 17:30

Cavalos Transformam Vidas

Luciana Lordello

Última atualização:
em 23/03/2015 às 10:22

Resumo das Novelas

Cristina Ferreira

Última atualização:
em 14/03/2015 às 22:29

A Vida e o Cotidiano

Bianca Monsores

Última atualização:
em 23/01/2015 às 12:08

Cuide bem do seu sorriso

Ângelo Amoedo

Última atualização:
em 01/12/2014 às 11:10

Equilíbrio no Ambiente de Trabalho

Ana Lúcia Cavalcanti

Última atualização:
em 30/10/2014 às 15:23

Fotografia - A um click da arte

Tatiane Rocha

Última atualização:
em 26/09/2014 às 12:01

Dicas Imobiliárias

Dra. Maria Claudia Fartes

Última atualização:
em 29/07/2014 às 22:53
banner Colunista banner Colunista
Atualizado


PENSANDO A MORTE A PARTIR DA FÉ E O LUTO – UM SENTIDO À PERDA

A palavra luto quer dizer “dor” causada pela morte de alguém.


“Fazer o seu luto” quer dizer literalmente “passar através da sua dor”.


“A resolução do luto” é o fenómeno que corresponde à nossa capacidade de “reparação da ferida” que a perda de alguém ou algo causa em nós…corresponde à transformação de vivências em memórias.


Porque nascemos fruto de relações, mais ou menos intensas, mais ou menos afetuosas, somos por natureza um ser de e para a relação…porque as emoções são o sustento das interações e da relação, o homem é por consequência um ser que cria ligações/laços com as pessoas e as coisas. Sem ligações, sem afetividade, a vida não seria possível. É por isso que nós criamos com os seres queridos relações que são laços psicológicos e espirituais.


Esses laços são de intensidade variável de acordo com o tipo de investimento afetivo em relação à outra pessoa. O luto é assim um acontecimento normal e inevitável na vida de um indivíduo, e não uma doença.


Contudo, a negação do sofrimento e da morte na nossa sociedade impedem o desenrolar normal da resolução do luto. A dissimulação e o recalcamento aos quais são impelidas as pessoas em luto são fatores muito importantes de “stress” e até mesmo de doença.


A vida é uma série ininterrupta de ligações e de separações, de mortes e de nascimentos. É preciso estar sempre preparado para morrer para uma situação e nascer para outra. É este o preço da vida. O luto faz, por isso, parte da vida. Poderemos mesmo dizer que é um elemento fundador da vida.


No entanto, e apesar de o luto ser um trabalho individual, toda a família e comunidade devem participar neste processo de “resolução do luto”, não omitindo o fato, nem fazendo de “conta que nada aconteceu, como sendo um tabu”, mas auxiliando as pessoas enlutadas a re(construir) um modelo de relação diferente…em que o físico se transforma em memórias!


A vivência de um luto, faz-nos sempre pensar nas nossas próprias perdas e isso pode de algum modo causar-nos dor, sofrimento e consequentemente, afastar-nos de situações que o evoquem.


A negação social da morte e do sofrimento, tem repercussões imensas sobre as pessoas e comunidades em situação de perda. As maioria das pessoas desconhecem a importância de “fazerem os seus lutos” e de consciente ou inconscientemente “percorrerem” as diferentes fases que este doloroso mas necessário percurso requer, para que se possa retomar a uma vida normal, porém transformada.


Se por qualquer razão, esta passagem pelas diferentes fases não se verificar, o individuo em luto fica “ agarrado” a uma relação que já não existe e não consegue construir uma vida verdadeira e diferente.


As causas destes insucessos são múltiplas:


Falta dos rituais sociais que favorecem o decorrer do luto; insuficiência de informações necessárias sobre a maneira da fazer o seu luto;
incapacidade de se exprimir emocionalmente, etc.


O luto é assim um tempo obrigatório entre duas fases da vida: aquela que deixamos porque nos separamos do ente querido e aquela que virá depois
de o termos deixado partir e que será completamente diferente da precedente.


Choque, corresponde ao momento imediato ao conhecimento do óbito e caracteriza-se por um entorpecimento da emotividade e das faculdades de percepção. No momento da notícia a pessoa fica anestesiada, e não é capaz de assimilar toda a reação emocional da perda.


O mundo abate-se à sua volta e a intensidade desta sensação é tanto maior quanto mais súbita e imprevisível for a morte. Há pessoas que têm tendência a manter uma vida interior rica de ilusões em relação ao ser que partiu.


 Desenvolvem por vezes alucinações que se destinam a manter a sua presença. As resistências são maiores se a pessoa não o pôde ver, falar-lhe ou tocar-lhe. Alguns lutos não se conseguem fazer, simplesmente porque não se viu o corpo do falecido (a).


A negação tem por fim retardar a plena consciência da realidade do drama. Esta consciência, se for muito forte, pode levar a que o indivíduo perca o seu equilíbrio psíquico. A primeira forma de negação é de natureza cognitiva: nega-se a perda, a pessoa tenta esquecê-la ou não pensar nela. A segunda forma é de natureza emotiva: a expressão emotiva fica bloqueada, quer pela falta de meios para exprimir as suas emoções, quer pelo medo de se deixar afogar nelas.


A negação pode apresentar-se de várias formas: sobre atividade, substituição de quem partiu por um outro alguém, procura de um culpado, apresentação do ser perdido como sendo o melhor, recurso a drogas, perturbações psicossomáticas, etc.


Quando as defesas cedem e a realidade da perda se impõe, emerge todo um conjunto de emoções: ansiedade, impotência, tristeza, cólera, culpabilidade, um sentimento de libertação, as lamentações da plena consciência da perda.


É preciso aceitá-lo, deixá-lo evoluir, vivê-lo: descobrir a chave. O período de reflexão necessário para este trabalho pede à pessoa que tenha confiança na sua sabedoria interior. O processo de luto e a sua resolução constituem um momento de crescimento e maturação pessoal e interior…em que nos deparamos com os nossos medos e angústias mais terrificas…por isso o confronto com o sofrimento dá-nos a possibilidade de elaborarmos os nossos receios e (re)avaliarmos o que queremos e fazemos com a nossa vida.


Um luto é considerado normal, quando a pessoa experiência sentimentos de tristeza, enfado, culpa, ansiedade, solidão, fadiga, impotência, choque, emancipação, alivio entre outras, durante um tempo suficiente para si, que lhe permite (r)elaborar a perda, e nesse sentido percorrer as diferentes fases do luto até conseguir finalmente atribuir um sentido à perda e assimilar as memórias sem dor nem sofrimento.


O Luto é considerado patológico ou complicado, quando existe uma relação contínua entre as reações normais e anormais, isto é, não existe uma diferenciação e para além disso, o luto patológico varia em intensidade e duração face ao luto normal, assim como na presença ou ausência de uma conduta específica


A diversidade nos diferentes tipos de luto, remete-nos para a diversidade de reações e de vivências do luto que cada pessoa apresenta. Nestas situações, mais do que em qualquer outra, cada pessoa deve ser olhada individualmente, com as suas características e necessidades, logo, devemos evitar reduzir o sofrimento dos outros e o nosso também ao que é “ normal e trivial”. Cada pessoa sente e vivências as perdas e os acontecimentos da vida de forma única e singular


O Acompanhamento Psicológico possibilita ajuda na elaboração do luto normal e patológico. O melhor momento é uma semana depois, porque nessa altura todo o processo que envolve a cerimônia  e aspectos burocráticos estão tratados e a pessoa pode finalmente, parar e pensar no seu sofrimento e, vivenciar sem receios e sem medos a sua dor!


Muitas vezes, pelo ritmo de vida e por medo de se tornar cansativo para a restante família, a pessoa em luto acaba por esconder /camuflar o seu sofrimento, podendo esta situação conduzir a um luto patológico ou aparecendo este sofrimento sobre a forma de somatizações.


O homem que não percebe o drama de seu próprio fim não está na normalidade mas na patologia, e deveria deixar-se curar." (Carl Gustav Jung). A morte para o homem, radicalmente diferente de todas as outras mortes, é um sinal de que estamos abertos à transcendência... Não só porque o homem tem consciência de sua finitude, mas também pelo fato paradoxal de que a negamos! 


Não queremos aceitá-la! No fundo o desejo é relativizar a morte, ou ainda negá-la, de uma forma ingênua... Negamos a morte distraindo-nos com a arte, a música, a busca da beleza, do poder, do dinheiro, em fim de sonhos e projetos. Por outro lado, viver de costas para a realidade da morte é realmente viver no engano, no auto-engano.


A morte acabará por vir, lenta ou súbita, violenta ou indolor, mais cedo ou mais tarde, "morrida" ou "matada" como diz o povo, e seremos desenganados pelos médicos, enterrados pelos parentes e amigos, lembrados durante alguns anos e, ao longo das décadas, finalmente esquecidos por todos os viventes, a não ser que nos transformemos em mitos mundiais ou coisa parecida. Seremos totalmente devorados pela morte implacável. 


A consciência viva de nossa morte contribui para que concentremos a atenção no essencial. A morte dos outros, dos amigos, dos familiares, mas sobretudo a inevitabilidade de minha morte é como que uma bofetada que me faz querer defender uma possível e desejável capacidade de viver depois da deterioração corporal. Não é uma bofetada na humanidade nem na ideia abstrata de vida. É uma bofetada em mim. Por que devo morrer, eu que não quero morrer?


A história da filosofia contemporânea revela o pessimismo do pensamento pós-moderno no tocante ao término da vida humana, pois, por exemplo, para o filósofo francês Jean Paul-Sartre, "a morte é sempre inoportuna" e mesmo, para Martin Heidegger que assevera que a vida humana é um "ser-para-a-morte". Em meio ao pensamento pessimista, melancólico e ateu, o pensamento cristão toca profundamente a consciência e a afetividade humana. Para o cristão, a morte é a oportunidade por excelência de aquietar o inquieto coração, que segundo Agostinho, somente encontra repouso na comunhão plena com Deus.


Para o cristão a imagem do homem como um "ser-para-a-morte", no dizer de Heidegger, é redefinido, e até mesmo, reinterpretado pelo Mistério Pascal de Jesus Cristo, que com sua paixão e morte assume o destino humano, até então possível... ou seja, Cristo ao assumir a encarnação experimenta a finitude da condição humana. Cristo morre verdadeiramente! O cristão nisto deve crer com coragem, não devemos ter medo de proclamar que "Deus está morto" e acrescentaríamos a Nietzsche: "Deus está morto e sepultado em Cristo".


Chocante esta palavra, mas uma verdade de fé imprescindível de ser proclamada hodiernamente pela Igreja. Não nos esqueçamos de que negar a morte verdadeira de Cristo é assumir heresias, tais como o docetismo (dizia que Jesus não tinha um corpo real) e o apolinarismo (afirma que Jesus não tinha alma humana). 


A reta fé cristológica exige de nós a compreensão de que Cristo morreu de verdade, não foi uma morte aparente. Esta afirmação choca a muitos piedosos cristãos e mesmo alguns iniciados na teologia, pois lhes custa muito perceber que em Jesus havia duas naturezas: humana e divina, na mesma pessoa, mas sem confusão, mistura e muito mesmo, sem que a natureza divina suplantasse a humana.


A Igreja desde o Concílio de Calcedônia, celebrado no ano 451, afirma que Jesus é plenamente Deus e plenamente homem. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ou seja, Jesus não é 80% Deus e 20% humano... Mas, 100% da natureza divina e 100% da natureza humana. 


O homem hodierno encontra no cristianismo a certeza que posso autotranscender-me, que posso ir além do que já sou e do que já possuo. O cristianismo me propõe novos objetivos, novos sentidos e novas conquistas... em fim a caminhar! A Boa Nova de Cristo é que as pessoas ressuscitarão, a morte não é a palavra final.


O cristão pela Iniciação Cristã (batismo, crisma e eucaristia) é configurado a pessoa de Cristo Ressuscitado, eu, também ressuscitarei. O cerne da fé cristã é amar profundamente a Deus, a si mesmo e ao próximo, e entender que mudar o coração é o primeiro passo para dar a qualquer outra realidade um novo sentido, inclusive à nossa morte.


Neste contexto, a morte deixa de ser o fim e se transforma numa fronteira, deixa de ser um muro e se torna uma passagem, deixa de ser um abismo e se torna uma ponte. Se é evidente que sofreremos uma morte biológica, não é tão evidente que a pessoa que eu sou morrerá com o corpo que vai cair e apodrecer. O cristianismo afirma que eu não morrerei para sempre. A morte faz parte do meu drama pessoal, da minha biografia. Mas posso interpretar minha morte como um ponto de partida (terminus a quo) e não mais como um ponto de chegada (terminus ad quem).


Por fim, o homem de fé pode retomar o pensamento nietzschiano e parafraseá-lo: em Cristo sepultado "Deus está morto", mas no terceiro dia, como dizem as Escrituras, Ressuscitou. Agora é um "Deus vivo" que experimentou a morte para conduzir o homem à ressurreição. Termino evocando a beleza e a verdade presente na arte, no caso, na poesia de Manuel Bandeira, quando se refere à morte em "A Mário de Andrade Ausente": "[...] Você não morreu: ausentou-se".


Visite o site da Diocese de Valença.


Acesse: www.diocesedevalenca.org




Pe. José Antonio da Silva



Fonte: Autoria Própria. Imagens retiradas da Internet

Deixe seu comentário

Você está em Vassouras / RJ
Portal Vassouras
Unidade Vassouras, RJ


Exit Consultoria Empresarial LTDA-ME - 07.867.086/0001-01
© 2008-2014 Copyright Franquia Portal da Cidade ®